As vezes agradeço, agradeço pelo meu quarto não falar, apenas me ouvir.
No silêncio de muitas noites, muitas tardes, e algumas manhãs de choro. Aqui, sentada no meu quarto, só eu e ele, como se fossemos melhores amigos.
Quem nunca teve a sensação de que o seu quarto era o seu refugio?
Depois de um dia cansativo na escola, um dia de explodir a cabeça no trabalho, ou até mesmo no final de uma noite de balada, nada melhor do que o nosso quarto.
Olho em minha volta, alguns livros, algumas roupas espalhadas, janela do banheiro aberta, entrando vento pelo quarto todo. Meu quarto diz pouco sobre mim, na verdade, ele não diz nada. Quem sabe se as paredes do meu quarto falassem, mas de momento prefiro nem pensar nessa hipótese.
Quem sabe ele transmita algo, muitas vezes, o silêncio dele me transmite calma, outras vezes, o gelo que ele se torna nas madrugadas, me transmite solidão. Meu quarto e minha cama, dois companheiro fiéis para o resto da vida.
Meu quarto, que na verdade nem posso chamar de meu, um quarto emprestado, que guarda sonhos, vontades, tristezas, e muitos sentimentos de um outro alguém, me sinto egoísta, muitas vezes por isso. Quem sabe ele seja assim, sereno, e por mais que eu tente mudar ele, ele jamais irá se adaptar a mim.
Meu amigo, meu fiel, não é pessoa, não é um animal, mas ele me entende, ele me suporta nos meus piores dias, e que dias. Sabe quando você acorda, mas sente que seu dia não vai ser produtivo? É nesses dias que meu quarto sofre, na verdade não sei se ele sofre, mas sei que quando eu sofro, ele me acolhe.










